Terrible two e cantinho de pensar. Abraçar é melhor que adestrar.

    Como pai, não nasci com aquele dom natural e instintivo que a grande maioria das mães (se não todas) possui ao lidar com seus filhos, então procuro compensar lendo muito, trocando experiências, escutando conversa materna na fila do supermercado, do banco, mas, acima de tudo vivenciando e aprendendo de fato sobre a convivência entre pai e filho.

    Aqui em casa estamos passando por uma fase que está exigindo muito da nossa atenção, calma e carinho. Nessa relação onde cabe a nós o papel de ensinar, estamos aprendendo. Nosso pequeno está com pouco mais de dois aninhos, talvez você já saiba inclusive que a fase tem nome em inglês – Terrible Two. A terrível fase dos dois anos… Brrrrr… Que medo.

    Deve ser castigo por causa da vaidade que eu carregava pelo guri nunca ter dado aqueles acessos de fúria no meio do supermercado, tipo se jogar no chão pra todo mundo olhar te julgando matando você de vergonha. Aconteceu. Aconteceu não, tá acontecendo.

    Em casa ele confronta, provoca, ultrapassa limites que até então eu achava que já estavam estabelecidos. Quer escolher o que vestir, o que comer o que assistir, corre na frente, não obedece a ordem para parar ou ficar por perto. Algumas vezes tenta agredir, demonstra raiva.

    O que a geração dos meus avós faria: – dá uma boa chinelada que passa.

    O que a geração dos meus pais faria: – coloca de castigo que passa.

    O que a geração atual faz: – chama a Super Nanny que passa.

    – Super Nanny??? Nã-na-ni-nã-não. Deixa que eu mesmo cuide, ensine, erre, aprenda, converse, compreenda, ajude, persista, insista, ame muito… Que passa.

    É preciso entender que o bebê cresceu e o menino aí quer entender o mundo por conta própria embora nem saiba lidar direito com a explosão de sentimentos e estímulos novos que estão surgindo a cada dia. Frustração, por exemplo.

    Há quem defenda o “cantinho de pensar” onde a criança fica por um minuto pra pensar no que fez de errado. Mas, peraí se nem nós adultos, maduros e experientes sabemos onde foi que erramos na maioria das vezes, como cobrar de um molequinho de dois anos? Então esse método é duvidoso se não vier acompanhado de uma boa conversa, uma explicação breve, sem raiva, sem desafiar ou confrontar. Tudo que ele ou todas as outras crianças precisam é de carinho, compreensão, orientação. Sem isso um “cantinho para pensar” pode afastá-los de nós e dificultar ainda mais a relação.

    Essa fase que você irá passar, já passou (ou está passando, como nós), não é fácil mesmo. Exige muito de toda a família, mas não tenho dúvida alguma que nossos filhos merecem esse esforço. Não importa o nome que se dê para a fase, não importasse o método é um “cantinho de pensar”, não importa se você esteja cansado ao final do dia e o seu anjinho resolve se transformar em um monstrinho indomável no meio do supermercado lotado. O que vale mesmo é de que maneira você, seu marido ou os responsáveis pelo seu filho lidam com isso. No mais, é não deixar faltar amor. Grande beijo no coração da família.