Tire dúvidas sobre o parto normal

    Agora que você é uma futura mamãe chegou o momento de realizar suas decisões levando em conta o bebê que espera. E uma das primeiras, e mais importantes, é a escolha do tipo de parto. Normal ou cesárea, qual é o melhor?

    De acordo com a recomendação da Organização Mundial da Saúde, as cirurgias cesarianas deveriam corresponder a, no máximo, 15% dos partos. No entanto, segundo dados de 2006, a cesárea corresponde a 43% dos partos realizados no Brasil. Com o objetivo de se aproximar aos padrões mundiais, o governo realiza campanhas de incentivo ao parto normal e para isso conta com a ajuda dos profissionais da área.

    “A cesárea não deveria ser uma escolha da paciente e sim uma indicação médica. Não há porque se submeter a riscos cirúrgicos sem necessidade”, afirma Gilberto Nagahama, ginecologista e obstetra do Hospital San Paolo.

    Para o profissional, a escolha deve ser, acima de tudo, por um parto saudável. “Independente de ser cesárea ou normal, é preciso identificar qual é o método mais indicado para cada situação, visando a saúde do bebê e da mãe”, explica Nagahama.

    Para que você saiba um pouco mais sobre o parto normal, levantamos algumas dúvidas que são respondidas por especialistas. Veja a seguir.

    Parto normal e dor andam juntos?
    O que afasta algumas mulheres do parto normal é o medo das dores. Mas, o que muitas não sabem, é que a anestesia pode ser usada para dar conforto a mamãe. “O parto vaginal pode ser com ou sem anestesia, esta segunda alternativa é indicada no parto “humanizado”, que segue rigorosamente todos os princípios naturais da assistência à gestante e ao bebê, não usando medicamentos”, esclarece Camila Cambiaghi, ginecologista do Instituto Paulista de Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Humana (IPGO).

    Portanto, a menos que a mulher não queira, é possível amenizar os dores do parto. “A anestesia não é necessária, mas alivia a dor. Ela não faz com que as contrações cessem, por isso, a paciente, mesmo anestesiada, continua a fazer a força necessária para o nascimento do bebê”, explica Camila.

    Outro receio freqüente está relacionado ao espaço pelo qual o bebê sai do corpo da mulher. Em casos de grande desproporção (entre a pelve materna e o tamanho do bebê), é possível realizar um corte na região perineal, conhecido como episiotomia. “Há a necessidade de realizar este procedimento para facilitar a saída do bebê e também para evitar lacerações na pele e músculos da região. É uma técnica usada com freqüência e o tamanho do corte varia de 3 a 7cm”, conta a ginecologista do IPGO.

    Existe parto normal com hora marcada?
    O parto normal não pode ser agendado da mesma forma que uma cirurgia cesariana. Mas isso não significa que o nascimento não pode ser previsto. “Entre a 39 e 40 semana, o médico pode fazer o exame de toque e, se for constatado que o colo do útero está dilatado e amolecido, é possível induzir o parto”, diz Eduardo Seiji Watanabe, obstetra do Hospital Santa Catarina.

    O profissional explica o procedimento: “é colocado o medicamento em forma de comprimido na vagina da mulher. Depois de uma hora a substância começa a agir e provoca as contrações do trabalho de parto. Normalmente depois de 5 a 6 horas ocorre o nascimento do bebê.”

    Quem já realizou cesárea pode optar pelo parto normal?
    De acordo com Gilberto Nagahama, quem passou por uma cesárea pode se submeter ao parto normal. No entanto, quem já teve dois ou mais filhos, por meio da cirurgia cesariana, não tem indicação para o procedimento.

    “A cicatriz interna no útero é uma região fragilizada. Por isso, a força das contrações pode romper a cicatriz. Essa é uma situação de risco, que pode levar à óbito”, explica.

    Há como preparar o corpo para o parto normal?
    “Não há comprovação científica de que um exercício em específico pode contribuir para o parto normal. O indicado é que a mulher tenha um bom condicionamento físico para estar melhor preparada durante o trabalho de parto”, afirma Nagahama.

    Também é aconselhável não ganhar muito peso durante a gestação. O ideal seria, de uma forma geral, engordar entre 12 e 14kg. “Os quilos que a mãe ganha não correspondem necessariamente ao peso do bebê”, explica o obstetra do Hospital Sao Paulo.

    O parto normal provoca “bexiga caída”?
    De acordo com os profissionais ouvidos, a resposta é “não necessariamente”.

    “A bexiga caída pode ocorrer devido diversas causas. Entre elas o envelhecimento, pois os músculos da região tendem a ficar enfraquecidos com o passar dos anos; questão hormonal; herança hereditária; ou ocorrência de parto normal”, destaca Gilberto Nagahama.

    Quando a cesárea se torna a única opção?

    A ginecologista e obstetra Camila Cambiaghi destaca alguns casos em que o parto normal não é indicado, veja a seguir:

    – bebê em posição pélvica, conhecida popularmente como “bebê sentado”;
    – desproporção entre a largura da bacia da mulher e o tamanho do feto;
    – alguns casos de má formação do feto;
    – quando a saúde da mulher estiver ou for comprometida;
    – pacientes que apresentam infecções genitais, como herpes, condiloma, entre outras.

    Pré-natal

    Além de ser uma orientação para a sua saúde e a do bebê, use o pré-natal para esclarecer melhor estas e todas as suas outras dúvidas.

    Serviço:

    Camila Cambiaghi – ginecologista do Instituto Paulista de Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Humana
    www.ipgo.com.br

    Eduardo Seiji Watanabe – obstetra do Hospital Santa Catarina
    www.hsc.org.br

    Gilbero Nagahama – responsável pelo pré-natal e ambulatórios de alto risco do hospital San Paolo
    www.hsanpaolo.com.br

    Ministério da Saúde
    0800-61-1997
    www.saude.gov.br

    Fonte: Terra