Um pai viajante de segunda viagem

    Ser pai novamente causa menos temores e, ao que parece, nos deixa bem mais relaxados. Quase nada é novidade, mas a vontade de ver logo o rostinho do bebê, saber através dos exames que está tudo bem, passar pela sala de espera (sem fim) do consultório durante o pré-natal, dentre outras expectativas e preocupações… Bem, isso não muda.

    Depois de quatro anos de nossa primeira gestação, minha esposa e eu descobrimos que seremos pais de outra pimpolhinha: a Lavínia. Sua irmã mais velha, Luiza, foi planejada e nasceu num dos melhores momentos de nossas vidas, quando já tínhamos seis anos de um casamento consolidado e uma carreira profissional caminhando bem para dois jovens que se uniram muito cedo e construíram praticamente tudo juntos. Minha esposa, Eliz, recém-promovida ao cargo de analista depois de acabar seu curso de gestão hospitalar, e eu, aprovado dois anos antes num concurso para a empresa dos sonhos da maioria dos estudantes da área industrial: a Petrobras.

    Nesse contexto, o grande desafio para um pai de primeira viagem se apresentou (e agora volta a se apresentar): como conciliar meu trabalho, que exige que eu fique quatorze dias longe de casa em alto mar, com a criação de nossas filhas? Eu não tinha como compreender, mesmo tendo colegas que passavam por essa experiência, e nem imaginava o tamanho da “encrenca”.

    Fui convidado a falar sobre esse tema neste espaço e aceitei com muito prazer, esperando que minha experiência (e a observação das experiências de outros colegas) contribua com outras famílias onde o trabalho, tão importante para o sustento da família, às vezes exige nossa ausência do lar. As angústias, a saudade, as dificuldades e a necessidade de equilibrarmos nossas vidas profissionais e pessoais talvez sejam as mesmas de tantos outros pais que enfrentam dilemas diários, mesmo estando em terra firme e retornando para o lar todos os dias no final do expediente.

    Rodrigo brinca com Luiza na Praia

    Ser um pai viajante tem suas vantagens e desvantagens, como pretendo mostrar aqui nos próximos meses. Lavínia deverá nascer em julho deste ano e até lá pretendo compartilhar com os leitores desta coluna as aflições e as delícias de minhas idas e vindas, e como encaro essa incrível viagem que é colocar uma vida no mundo.

    *Rodrigo Rossoni é técnico de instrumentação e se prepara para embarcar na sua segunda viagem como papai

    *Fotos: arquivo pessoal

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